A ARTE DE COMUNICAR-SE!

Comunicação é o número um na lista de problemas no casamento. É muitas vezes a última gota, que desmorona o telhado do casamento e do lar. Talvez você tenha dito palavras como essas ou pensado:

-“Nós não conversamos”;

-“Nossas conversas são sempre superficiais”;

-“Toda vez que demonstro meus sentimentos reais, brigamos”.

Técnicas e princípios em “como fazer” ou “o que não fazer” recheiam as nossas livrarias. Mas mesmo assim, com todos estes livros de títulos interessantes, lares e relacionamentos continuam desintegrando-se em uma velocidade espantosa nos últimos anos.

Maridos e esposas ainda não estão conseguindo comunicar-se e casamentos cada vez mais estão se desfazendo à nossa volta.

Amado, comunicação é a arte de ouvir, ver e compartilhar. Comunicação à maneira de Deus certamente não é   “despejar” o seu caminhão lotado de ressentimentos, decepções e frustrações na cabeça de seu cônjuge. É uma troca de pensamentos, idéias e opiniões compartilhadas entre duas ou mais pessoas que estão dispostas a se abrirem, maleáveis.

Especialistas em comunicação calculam que apenas 8% da nossa comunicação é verbal. Além disto, 35% é emocional, 55% é linguagem corporal e 2% é intuitiva. Essas observações talvez sejam verdadeiras, mas não podemos relevar o poder  da comunicação verbal. Você pode imaginar como são cruciais as palavras que permitimos sair de nossas bocas?

Palavras escolhidas sabiamente,  podem mudar uma fisionomia, amaciar uma resistência de pedra, ser água refrescante em um temperamento agressivo, acalmar tensões e restringir o ódio. Como placa sinalizadora em uma estrada deserta, pode mudar até mesmo a direção da vida de uma pessoa.

É por isso que precisamos aprender como nos comunicar, se queremos verdadeiramente ter um casamento sem arrependimento.Quando meu sogro me ligou dizendo que Tom, meu primeiro marido, tinha cometido suicídio, voltaram à minha mente duas conversas. Em ambas, Tom tinha dito que ele estava pensando em tirar a sua própria vida. Nos anos 50, a sabedoria comum era esta: “Aqueles que falam em suicídio nunca fazem isto” (Como estávamos terrivelmente enganados!).

Tudo o que tinha a fazer, segundo o meu limitado entendimento, era fazê-lo ficar nervoso e blefar.Como respondi então, a nossa primeira conversa? Eu falei na verdade estas palavras: “Faça um bom trabalho, Tom, porque assim posso receber o dinheiro do seguro.” A segunda vez que ele mencionou isto, eu sugeri um bom método. Ele poderia voar com o seu avião na direção de uma montanha, assim não haveria nenhuma pergunta e eu poderia pegar o seguro. Depois de falado, eu não podia voltar atrás com as minhas palavras. Durante todo o tempo eu não tinha conhecimento da necessidade desesperada do meu marido em alcançar significância. Como desejaria saber naquela época o que vou compartilhar com você agora!

A verdade é, Amado, que o nosso Criador nos fez a cada um de nós, com duas necessidades básicas: necessidade de amor (ou segurança) e necessidade de um sentido de dignidade (ou significância). Eu me lembro bem do dia, quando em pé no meu apartamento alugado, levantei o punho cerrado para um Deus que eu nem mesmo conhecia. Eu estava separada do Tom, cheia de amargura e desilusão, e tão solitária…E estas foram as minhas palavras: “Vá para o inferno, Deus!” gritei. “Eu vou achar alguém para me amar!” Oh, a graça de Deus me deixou descobrir o amor que todos nós procuramos, alguém que nos ame sempre, não importando o que aconteca. Alguém que irá cuidar de nós e permanecer ao nosso lado, quer sejamos feios ou bonitos, com saúde ou doentes, de bom humor ou mau humorado. Alguém que olhe para nós e diga: “Eu sei tudo sobre você, mesmo assim te amo.”

Nós  precisamos de um amor que vá além dos nossos momentos ruins e dos nossos erros diários. Queremos alguém que suporte as nossas fraquezas e imperfeições, alguém que não nos abandonará ou se afastará de nossa vida quando tropeçamos e falhamos. Queremos alguém que nos ame, estimule, cuide  de nós, sem nenhuma restrição. Se alguém nos amasse assim – incondicionalmente – nos sentiríamos seguros.

Concorrendo com este nosso desejo de ser amado, está a  necessidade profunda de termos o nosso próprio valor. Sabemos que as nossas vidas tem significância, ou seja, valor. Eu acredito que foi essa a razão porque Tom ameaçava com suicídio. Ele tinha problemas com depressão maníaca e era perseguido pela memória de sua primeira falha, a primeira vez que esse homem capaz tentou algo e não conseguiu. Ele abandonou o treinamento de vôo quando era um oficial naval e nunca se recuperou desta decisão. Isto tomou conta de sua mente e de suas, emoções, literalmente, daquele momento em diante. É por isso que ele voava como piloto particular, ele queria provar a si mesmo, e de alguma maneira compensar a perda da medalha em formato de asa da Marinha, que ele nunca obteve.

O  verdadeiro problema  de Tom era doença mental, um desbalanceamento químico que arpoava seus pensamentos e  emoções. Eu gostaria que tivéssemos procurado ajuda, mas nunca tocamos neste assunto. Os problemas nunca foram colocados na mesa, foram sempre escondidos.Ele nunca compartilhou seus conflitos comigo e eu não sabia como ajudá-lo com os pesadelos que o torturavam. Amor e dignidade, segurança e significância. Não se engane. Todos nós precisamos de megadoses dessas coisas, especialmente em nossos casamentos, mas parece que é ainda mais difícil de encontrá-las neste lugar. E quando desejamos essas coisas e não as recebemos, nós nos enraivecemos e dizemos coisas que não deveríamos dizer.

Quando casei-me com Tom eu esperava que ele fosse desempenhar o papel de Deus em minha vida e satisfazer todas as minhas necessidades de amor e valorização. Eu me esqueci que ele também era um vaso de barro, como eu. Então quando ele falhou, eu me senti ferida, decepcionada e presa na armadilha de um casamento insatisfatório. Quando ele me criticava eu sentia que nunca poderia agradá-lo, e em minha dor lutava com a melhor arma que eu tinha, uma língua cortante e cruel.

Mas não foi para isso que Deus criou a minha língua! Este pequeno e poderoso membro do nosso corpo nos foi dado para comunicar o amor de Deus e falar de maneira digna como criação de  Deus, de nossos irmãos e irmãs. Como deve entristecer ao Criador quando este pequeno músculo, em nossas bocas, se torna uma espada para destruição, inferiorizando outros, falando mentiras e matando com as palavras.

Na verdade, o capítulo 3 de Tiago focaliza a maneira como devemos falar um ao outro. O apóstolo começa o versículo 2 dizendo: “Todos tropeçamos em muitas coisas.” Simples, mas profundo. Se pudéssemos lembrar apenas isto em nossos casamentos!

 Todos tropeçamos . Cada um de nós  faz isso de várias maneiras. Nenhum de nós é perfeito!

Tiago então fala: “Se alguém não tropeça em palavra, esse homem é perfeito, capaz de refrear todo o corpo.” Em outras palavras: Se você pode manter a sua língua sob controle, você pode manter o resto de seu corpo sob controle também. Quem já conseguiu isto? Queremos ser este servo disciplinado do Senhor, não é verdade? Eu quero que cada parte de mim esteja sob o controle do Espírito Santo. Que mulher eu seria! Oh, como Deus poderia usar-me para ministrar a este mundo angustiado e ferido. Mas isto não virá sem uma grande disciplina e sem uma enorme infusão do poder, Seu poder transformador em minha vida.

No poder do Seu amor,

 

 

 

 

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